Opinião: Vidas Roubadas de Delci Tavares da Silva

Solicitei este romance à Chiado Editora porque alguém cá de casa gostava de o ler. Assim sendo, li-o também e confesso, não sabia o que esperar.

Sabia que era em português do Brasil mas isso não afetou muito a leitura, há apenas alguns termos que não são tão perceptíveis porque são de lá. Também é retratada muita história do país, e isso, para mim, desinteressou-me porque não sou fã de história.
Ainda não vos disse, resumidamente, este livro conta a vida de um jovem desde o nascer até à morte, passando pelos seus amores e desamores, morte de parentes, vida politica, casamento, a falta de um bebé e a vinda dele, acabando na sua própria morte.

Gostei de o ler especialmente pela parte amorosa, os seus tantos pares. É engraçado a maneira de como um relacionamento muda conforme o par que temos ao nosso lado. Adorei o amor entre ele e as suas meninas e os diferentes amores e carinhos. Sendo sincera, foi isso que me cativou. Dispensava a parte politica mas tudo faz parte. No entanto, se não gostarem nem perceberem absolutamente nada de história, não recomendo a leitura, só se forem uns eternos apaixonados e gostarem dos romances, das paixonetas do Joãozinho. Ah, e também se forem fãs do corpo feminino pois vão encontrar bonitas e precisas descrições dele.

Foi um livro rápido de se ler, não é pesado, não é extraordinário mas é muito bonito, no fundo e fim de tudo, é um livro muito bonito, não fosse ele um romance!

Sinopse

Mas naquela hora eu não olhava para ela com licenciosidade.
Olhava para ela afim de apreciar a nobreza da beleza que ostentava, como se houvera sido eu o artífice que, com o suor do seu trabalho, plasmou tão brilhante obra. Olhava para ela, procurando captar o píncaro do toque artístico para incrusta-lo em minha mente e com a alma satisfeita, poder dizer: esta é a minha obra-prima.
Viajei pelo seu corpo inteiro sem pestanejar uma vez sequer, desde o seu rosto e daí ao pescoço, dorso, nádegas, coxas, pernas até os pés, valorizando os pormenores dos seus encantos – simetria, curvinhas, pintinhas, contrastes de luz e sombra – e no final, com a respiração refreada, pensei: (De maneira nenhuma poderia ser mais perfeita).
Então como se ela, em espírito tivesse me visto espiando, emitiu um gemidinho e rolou para a posição contrária, apoiando uma perna obliquamente sobre a outra. Um dos braços estendia-se transversalmente sobre o ventre e o outro, encurvado acima da cabeça, formando uma rara pose artística. Com os olhos fechados, ficou como se estivesse olhando para mim e então a apreciei novamente desde seu rosto até seus pés e concluí: (De forma nenhuma poderia ser mais perfeita). - CHIADO EDITORA

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